Hammerfall Supera Imprevistos E Entrega Uma Noite De Power Metal Puro Em São Paulo
O sábado, 8 de novembro, começou longe do cenário ideal para um grande show internacional. Fortes chuvas, alertas de tempestade pela cidade de São Paulo e, principalmente, problemas aeroportuários na Europa, causados por apagões, afetaram diretamente a logística da turnê do HammerFall. Alguns integrantes chegaram ao Brasil com atraso, o que forçou mudanças emergenciais no cronograma ainda pela manhã.
A atração principal, inicialmente prevista para as 20h, acabou sendo adiada para perto da meia-noite, enquanto o início geral do evento foi deslocado das 17h para as 19h. Mesmo assim — ou talvez justamente por isso — o público compareceu em peso à Vip Station, demonstrando paciência, fidelidade e uma disposição que se manteria firme até o último acorde.
Abertura nacional: identidade e peso desde cedo
A noite começou oficialmente por volta das 20h15, com os paulistanos da Cova Rasa subindo ao palco. Formada em 2016, a banda mostrou personalidade ao unir o peso do heavy metal tradicional a atmosferas sombrias, inspiradas em terror, mitologia e lendas urbanas.
Divulgando o álbum Another Time (2025), que marca uma nova fase com letras em inglês e produção mais refinada, o grupo apresentou faixas como “The Red Mansion”, “Borley Rectory”, “Heartbreakers’ Hunter”, “King of Ghouls”, “Dr. Death” e “Black Shadows”. Foi um show curto, direto, mas eficiente — o suficiente para captar a atenção do público logo nas primeiras horas e aquecer o clima para o que viria depois.
Após um intervalo aproximado de uma hora, foi a vez de outro nome paulista assumir o palco.
Quando estilos colidem: Throw Me to the Wolves
A Throw Me to the Wolves trouxe um contraste interessante à noite: death metal melódico de forte influência sueca, técnica apurada e uma intensidade visceral. Com uma execução precisa e cheia de sentimento, o grupo mostrou maturidade e identidade própria, equilibrando riffs pesados, passagens melódicas e vocais agressivos.
Com músicas como “Chaos”, “Tartarus”, “Days of Retribution”, “Fragments”, “Awakening My Demons”, “Gates of Oblivion”, “An Hour of Wolves” e “Gaia”, a banda conquistou respeito e aplausos, provando que o metal extremo nacional segue em excelente forma.
A longa espera e a promessa cumprida
Depois de mais um intervalo — este maior que o previsto — vídeos exibidos nos telões informaram o público sobre a situação: ainda havia membros da banda enfrentando dificuldades de deslocamento, mas o show aconteceria. O recado foi claro: todos estavam se esforçando ao máximo.
A plateia, já cansada, mas cheia de expectativa, respondeu com entusiasmo a cada movimento da equipe técnica no palco. Quando o relógio se aproximava das 1h50, finalmente aconteceu.
HammerFall no palco: energia recompensada
O HammerFall surgiu como um furacão. Sem cerimônia, abriu o show com “Avenge The Fallen”, despejando energia logo nos primeiros segundos. Em seguida, vieram “Heeding the Call” e “Any Means Necessary”, formando um trio inicial que colocou o público para cantar, erguer punhos e esquecer completamente o cansaço da espera.
O vocalista Joacim Cans, visivelmente carismático, fez questão de agradecer a paciência do público e explicou que Pontus Norgren e Fredrik Larsson haviam literalmente saído do aeroporto direto para o palco. O discurso foi direto e simbólico: em 30 anos de carreira, nada jamais impediu o HammerFall de tocar — eles não cancelam shows.
A frase caiu como um juramento de honra no coração dos fãs.
Clássicos, performance e comunhão
A partir daí, o que se viu foi uma entrega total. O baterista David Wallin foi um espetáculo à parte com sua performance explosiva, enquanto o guitarrista Oscar Dronjak manteve presença intensa, headbangings constantes e riffs certeiros que sustentam a identidade do HammerFall desde os anos 1990.
O set avançou com uma sequência sólida:
- “Hammer of Dawn”
- “Blood Bound”
- “Renegade”
- “Hammer High”
- “Last Man Standing”
- “Fury of the Wind”
Entre uma música e outra, Joacim interagia com o público, demonstrando sincero carinho pelos fãs brasileiros — algo que sempre marcou a relação da banda com o país.
O ápice emocional e o encerramento triunfal
Na reta final, veio o momento de completa união entre banda e plateia com “Let the Hammer Fall”, onde Joacim conduziu o público com maestria, transformando a Vip Station em um único coro.
O encerramento do set principal trouxe “The End Justifies” e “(We Make) Sweden Rock”, reafirmando o orgulho da banda por suas raízes e pela trajetória construída ao longo de três décadas.
No encore, o HammerFall entregou exatamente o que o público queria: “Hail to the King” e a apoteótica “Hearts on Fire”, que encerrou a noite em clima de vitória coletiva, suor, sorrisos e vozes roucas.
Conclusão: mais que um show, uma demonstração de caráter
O show do HammerFall em São Paulo foi mais do que uma apresentação musical. Foi um exemplo de profissionalismo, respeito ao público e amor pela estrada. Em meio a atrasos, dificuldades logísticas e clima adverso, a banda manteve sua palavra e entregou uma performance intensa, honesta e poderosa.
A espera foi longa — mas, como o próprio público reconheceu ao final, cada minuto valeu a pena.
O HammerFall provou, mais uma vez, que sua força vai além do power metal: está na resiliência, na conexão com os fãs e na convicção de que o metal, quando feito com paixão, sempre encontra um caminho até o palco.
Setlist
Cova Rasa
A banda apresentou um show curto, direto e pesado, focado no novo álbum Another Time (2025):
- The Red Mansion
- Borley Rectory
- Heartbreakers’ Hunter
- King of Ghouls (nas imagens aparece “KinF of Ghouls” — correção de grafia)
- Dr. Death
- Black Shadow
Throw Me To The Wolves
A segunda banda da noite fez um set mais longo, baseado no recém-lançado Days of Retribution, com forte presença de death metal melódico:
- Genesis (intro)
- Chaos
- Tartarus
- Days of Retribution
- Fragments
- Awakening My Demons
- Gates of Oblivion
- An Hour of Wolves
- Gaia
HammerFall
Set principal
- Avenge the Fallen
- Heeding the Call
- Any Means Necessary
- Hammer of Dawn
- Blood Bound
- Renegade
- Hammer High
- Last Man Standing
- Fury of the Wind
- Let the Hammer Fall
- The End Justifies
- (We Make) Sweden Rock
Encore
- Hail to the King
- Hearts on Fire